Natureza Humana: A Aldeia

O ex-presidente Janio Quadros foi abordado pela repórter:

“— E aí, Janio, o que há de novo?”

“— Esta nossa intimidade. Intimidade, minha jovem, só traz aborrecimentos e filhos, e eu não quero nenhum dos dois com a senhorita”.

Ele zelava por um bem precioso que a moça tentava lhe tomar. A intimidade nos é algo tão caro que nem dada deve ser. No máximo emprestada, com direito a devolução. Tomada de nós, jamais!

Olhe-a, portanto, como sua poupança, sua casa. Valiosa, pode ser bem aplicada, mas corre riscos. Ela passou a existir com o surgimento do indivíduo. Não me fiz claro: não é a partir do nosso nascimento, mas da criação do indivíduo.  Leia Mais


Natureza Humana: Culpa e o PIB

Dentre as cinco resistências ao tratamento analítico descritas por Freud, a mais curiosa é a reação terapêutica negativa. Ele ficava pasmo de ver que, quando alguns pacientes tinham uma expressiva melhora em suas neuroses, como decorrência da análise, algo de muito errado lhes acontecia. Ora adoeciam, tinham acidentes, tomavam decisões catastróficas, mas, sobretudo, abandonavam o tratamento. “Pioram porque melhoram?” era a questão que intrigava o Professor.  Depois de muita pesquisa, ele concluiu que algo neles se ressentia com seu novo bem-estar. Tinham culpa de se sentir bem.  Leia Mais


Natureza Humana: Não Sei

Será que a origem e o desenvolvimento do indivíduo (ontogênese) repetem a origem e o desenvolvimento de sua espécie (filogênese)? Sei que esta teoria já foi desacreditada há tempos, mas às vezes ela faz sentido. Todos nós, quando crianças, precisávamos nos agarrar a fatores externos que nos dessem segurança. Real ou inventada, acreditávamos na proteção dos pais, das preces, de nossas crenças, das superstições, dos rituais, das explicações que arranjávamos para tapar os buracos de nossos conhecimentos, e desprezo total para escapar do que não nos era alcançável, como uma língua estrangeira, por exemplo. Mesmo aí, lembro-me de inventar uma algaravia de sons parecidos para poder cantar músicas em inglês.

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Natureza Humana: É Natural…

O pensamento do filósofo Baruch (abençoado, em hebraico = Benedito = Bento) Spinoza sobre a liberdade poderia ser definido assim: “ela consiste em conhecer os cordéis que nos manipulam”. Repare que ele não reconhecia a liberdade como coisa de existência verdadeira, mas poderíamos ampliá-la um pouco se aliviássemos, ao conhecê-los, os puxões dos cordéis. Outro grande, Schopenhauer (bem lembrado por um leitor), disse que podemos até ter vontades, mas não podemos escolher nossos desejos. Tenho escrito sobre a natureza humana para que saibamos como somos manipulados. Leia Mais


Natureza Humana: Livre Arbítrio

Sabe aquele ouro que o Brasil perdeu para a Rússia no vôlei? Fui eu o culpado. Explico: nunca assisto a esportes, mas meu filho queria ver o jogo, e eu lhe fiz companhia. Logo comecei a torcer, e tudo saía ao contrário das minhas mandingas. Resultado foi o que se viu. Nunca mais. Não quero o peso do fracasso brasileiro. Leia Mais


Natureza Humana: Sentimento de Culpa

Que nós nascemos com a capacidade de sentir culpa, é certo. Até cães vêm com este programa. É velha a expressão “cara de cachorro que quebrou a panela”. De fato, depois de um óbvio “malfeito”, lá vem ele com a cabeça baixa e as orelhas murchas a tentar nos lamber, a nos pedir perdão. O sentimento de culpa mistura vergonha com arrependimento, e supõe uma certa integridade moral de quem o tem. É sabido que os psicopatas passam-lhe ao largo, apesar de a ele não serem indiferentes. Ao contrário, desafiam-no. Leia Mais


Natureza Humana: O Complexo de Édipo

“Mãe, eu não quero ir à escola. Os alunos são chatos, os professores são chatos, tudo é chato”. “Meu filho, você já tem cinquenta e três anos, é diretor dessa escola, você TEM QUE IR À ESCOLA!”

De fato, quando se pensa em complexo de Édipo, logo se imagina uma cena como esta, ou pior, filhos erotizados com as mães, ou filhas com os pais (que essa história de complexo de Electra foi o Jung que inventou, e Freud se irritava, pois achava que não havia porque separá-los, já que tinham o mesmo princípio), vendo o pai (ou a mãe) como rival, possessivos com seus amados.  Leia Mais


Natureza Humana: Instintos de Vida e Morte

Freud falou que todos nós carregamos instintos opostos: um de vida (que ele chamou de Eros), e um de morte (que ele não chamou de Tanatos). Este conceito é dos mais mal compreendidos em psicanálise, geralmente ligado a um monstro que aqui e ali surge no ser humano fazendo que ele se torne genocida, causador de guerras, assassino serial, político predador e coisas do gênero, pois enquanto o instinto de vida é bem acolhido como parte da nossa “boa natureza estragada pela cultura” (vide o bom selvagem de Russeau), o de morte é olhado como um inimigo oculto dentro de nós, esperando sua oportunidade para cravar suas garras. Deste mal entendido vêm crendices como a de que pessoas são capazes de “fazer” um câncer, já que são tão amargas. O que é uma crueldade adicional para os cancerosos, pois além da doença eles carregam a culpa de tê-la. Sem mencionar otimistas incuráveis que também desenvolvem câncer. Leia Mais


Natureza Humana: Preciosa Desconfiança

A desconfiança é a mãe do pensamento humano. Ela é o início da reflexão. É o humano se olhando no espelho enquanto olha para o outro, e dizendo, “Eu sei ser vigarista, logo eu posso reconhecer um vigarista. Acho que este cara está querendo me passar a perna”. A confiança é berço esplêndido, necessária para o descanso do corpo e da alma. Mas você reparou que antes de apagar a luz e deitar a cabeça no travesseiro, nós verificamos se as portas estão trancadas, o gás desligado e outras precauções? Leia Mais


Natureza Humana: Freud e a Tirania

Você sabia que “Tirano” era um título de governante, assim como rei, presidente, primeiro-ministro e outros, não era nenhum xingamento? Isso se deu há muitos tempos, mas nem tanto assim. Pense que a democracia é tão jovem quanto 2.400 anos, tendo nascido em Atenas, Grécia, uma pequena cidade-estado. A liderança de um povoamento (geralmente uma cidade muito pequena) era imposta pela força, e o chefe, ou Tirano, era adorado como um grande pai, havia histórias míticas sobre ele, sobre sua origem humilde, e de como ele vencera vicissitudes, fome e perigos para chegar até onde chegara, não sem antes destruir o tirano anterior, que era considerado por ele e por sua propaganda, um verdadeiro “tirano”, uma peste a ser destruída. Leia Mais

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