Natureza Humana: Sadomasoquismo Sutil

O pai tijucano viu o filho desenhando e gritou: “Para de desenhar que isso é coisa de viado!” (com “i” mesmo, que “veado” não tem o mesmo impacto homofóbico). Quem viu “Anos dourados” do Gilberto Braga sabe que a Tijuca era um bairro do Rio de Janeiro que imprimia caráter: valores de classe média e preconceitos escancarados. Se fosse um pai da zona sul, mais sofisticada, não diria uma palavra: suspiraria e balançaria a cabeça em desalento. Os mesmos preconceitos, mas com sutileza.

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Natureza Humana: Compaixão e Consideração

Ele estava horrorizado consigo mesmo: a criança morrera de câncer, e ele, o pediatra, não sentira nada. “Eu tenho alguma coisa de muito errado na minha cabeça: não tive pena, não sofri, não perdi o sono…”

Quis saber se ele havia feito tudo o que podia, se tinha apoiado os pais nas horas difíceis, se havia minimizado o sofrimento da criança, enfim, se honrara seu juramento hipocrático. “Sim, claro, como sempre, mas essa não é a questão…”

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Natureza Humana: Três Esferas

Um ladrão de porco carregava sua presa sobre os ombros quando foi pego pela polícia:

— Aí, hein, ladrão de porco, roubando porco, né?

— Porco? Que porco?!

Vira a cabeça, olha o bicho e diz perplexo:

— Ai! Tira esse bicho daí!!

E sacode o bicho fora, com um repelão, como se fosse um inseto incômodo. Leia Mais


Natureza Humana: Predação, guerra e tirania

A predação, a guerra e a tirania sempre foram vantagem reprodutiva para seus executores, dando-lhes maior acesso ao sexo, que é nossa mais primitiva e poderosa motivação na vida.

Os predadores, os ladrões, os corruptos, visam a riqueza fácil, e ostentar riqueza equivale, na seleção sexual, às penas do pavão: atrai muitas pavoas. A guerra é a maior facilitadora do estupro coletivo, e o estupro é uma das estratégias reprodutivas de nossa espécie, infelizmente. Além disso, a guerra aumenta o poder de quem vence, e ter poder, já dizia Henry Kissinger, é o maior afrodisíaco que existe. O mesmo pode ser dito da tirania, o poder absoluto não só é atraente como corrompe absolutamente, um somatório de vantagens reprodutivas. Ao ponto de Tirano, na origem, ser um título de governante, e não um xingamento, que essa coisa de democracia é muito recente na história de nossa espécie (só 2.400 anos).

Destarte, motivação para o mal é o que não nos falta. Mas, como para uma ação humana acontecer são necessários motivação, meios e oportunidades, se queremos o bem, precisamos trabalhar em três frentes: premiar o bem e reduzir os meios e as oportunidades para o mal.

O maior prêmio do bem pode ser a consciência tranqüila e seu bom nome preservado, mas o bem sempre deveria dar lucro para que fosse ainda mais atraente fazê-lo: chama-se a isso “meritocracia”.

Freud disse muito sabiamente que “se a virtude não for premiada nesta Terra, a ética pregará em vão”. A premiação do fazer o bem, da ética ativa, está em sintonia com a ética de John Stuart Mill: quero que todos sejam felizes, pois suas infelicidades perturbam a minha felicidade. Nunca vi ética mais sintônica com nossa natureza egoísta que esta.

Quando o mal é punido, as oportunidades e os meios de fazê-lo escasseiam. Eis porque é tão bem-vinda uma justiça Erga Omnes, em que todos são iguais perante a lei, e em que ela alcance os mais poderosos.

A guerra deve ser prevenida levando em conta o ânimo belicoso da natureza humana: “Si vis pacem para bellum”, diziam os romanos, “se queres a paz, prepara a guerra”, por favor, não fique contando com campanhas educativas e atitudes eternamente complacentes com os agressores, não lhes passe a mão no Cabello, não espere caírem de Maduro. Lembrem-se da tolerância de Chamberlain com Hitler…

Sim, tirano é tirano, e a vontade de tirania não adormece nunca, daí que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Quando o Supremo reafirma que a liberdade de expressão vale mais que a vontade do Rei, ele está mandando um recado àqueles que espreitam sem trégua a possibilidade de exercer um “controle da imprensa”, ou qualquer outro nome que se dê para a censura prévia aos inconvenientes. É preciso lembrar Millôr: “Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.

É preciso lembrar que não existe casa pronta nem “democracia consolidada”: sem manutenção permanente, tanto uma quanto outra entram em decadência. A ruína e a tirania são seus destinos entrópicos.

É hora de içar as velas de nossos valores: ventos de dignidade começam a soprar no país!


Natureza Humana: Raiva Contida

Um psicanalista carioca escreveu que, se o Brasil fosse uma pessoa, ele lhe receitaria antidepressivos e exercícios físicos. Certo, o país anda abatido, mas ele estaria tratando apenas os efeitos da depressão, não suas causas.

O estado depressivo é um mecanismo de defesa que faz a pessoa se encolher diante de uma ameaça prolongada. Se fizermos uma engenharia reversa nele, veremos que sua causa imediata é o stress. Este, apesar de popular, é mal compreendido. É fácil se dizer estressado. Não é tão fácil explicar o que é. Stress é a condição de se estar com uma angústia prolongada. Angústia vem do latim “angustus”, apertado, o mesmo sentimento de aperto no peito que ela produz. Já os alemães são mais simples: “angst” significa medo. Aí temos a linha de montagem completa: medo; angústia; stress; depressão. Leia Mais


Natureza Humana: A nobreza do martírio

Você já notou que essa história de oferecer a outra face é um golpe baixo? O que acontece é que o estapeado vira nobre instantaneamente, e quem deu o tapa vira vilão. Aquilo que gerou o primeiro tapa desaparece como assunto, mesmo que, dependendo da causa, ele seja merecido. Leia Mais


Natureza Humana: Consolo

Diferentemente de necrotério (lugar dos mortos, em sua origem grega), cemitério é o lugar para dormir. O de nome mais bonito que conheço é o Cemitério da Consolação: lugar para dormir, lugar de consolo. Reúne duas necessidades básicas do ser humano neste vale de lágrimas: descansar e consolar-se. Leia Mais


Natureza Humana: O Elefante

Atravessavam os Estados Unidos de trem, quando um homem se levantou e começou a espalhar um pó tirado de uma caixinha pelo corredor entre os bancos.

— Que pó é esse?

— É pó de espantar elefantes!

— Mas não há elefantes na America.

— Ah, não tem problema, o pó é falsificado, mesmo… Leia Mais


Natureza Humana: Controle

Freud detectou o início de uma guerra entre a criança e o mundo, entre o pequeno troglodita – que é como nascemos – e a civilização, entre as forças da natureza que estão nos nossos programas cerebrais genéticos e a cultura que quer nos regular (ela também fruto da natureza, que nos deu capacidade de criá-la), no momento em que a criança já tem capacidade e maturidade neurológica para controlar seus esfíncteres de excreção, e os adultos – representantes da civilização – que têm poder sobre ela, querem impor regras de higiene, horários e locais adequados para essas funções excretoras.  Leia Mais


Natureza Humana: Acumuladores

Os canais pagos de televisão tornaram bastante conhecida a figura do acumulador. Programas americanos mostram acumuladores ricos, capazes de comprar galpões para guardar de quinquilharias a compras múltiplas ainda em suas embalagens originais. Há até acumuladores de carros, com dezenas deles espalhados por sítios, cada um com uma razão para não se desfazerem deles.  Leia Mais

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