Natureza Humana: Três Esferas

Um ladrão de porco carregava sua presa sobre os ombros quando foi pego pela polícia:

— Aí, hein, ladrão de porco, roubando porco, né?

— Porco? Que porco?!

Vira a cabeça, olha o bicho e diz perplexo:

— Ai! Tira esse bicho daí!!

E sacode o bicho fora, com um repelão, como se fosse um inseto incômodo. Leia Mais


Natureza Humana: Predação, guerra e tirania

A predação, a guerra e a tirania sempre foram vantagem reprodutiva para seus executores, dando-lhes maior acesso ao sexo, que é nossa mais primitiva e poderosa motivação na vida.

Os predadores, os ladrões, os corruptos, visam a riqueza fácil, e ostentar riqueza equivale, na seleção sexual, às penas do pavão: atrai muitas pavoas. A guerra é a maior facilitadora do estupro coletivo, e o estupro é uma das estratégias reprodutivas de nossa espécie, infelizmente. Além disso, a guerra aumenta o poder de quem vence, e ter poder, já dizia Henry Kissinger, é o maior afrodisíaco que existe. O mesmo pode ser dito da tirania, o poder absoluto não só é atraente como corrompe absolutamente, um somatório de vantagens reprodutivas. Ao ponto de Tirano, na origem, ser um título de governante, e não um xingamento, que essa coisa de democracia é muito recente na história de nossa espécie (só 2.400 anos).

Destarte, motivação para o mal é o que não nos falta. Mas, como para uma ação humana acontecer são necessários motivação, meios e oportunidades, se queremos o bem, precisamos trabalhar em três frentes: premiar o bem e reduzir os meios e as oportunidades para o mal.

O maior prêmio do bem pode ser a consciência tranqüila e seu bom nome preservado, mas o bem sempre deveria dar lucro para que fosse ainda mais atraente fazê-lo: chama-se a isso “meritocracia”.

Freud disse muito sabiamente que “se a virtude não for premiada nesta Terra, a ética pregará em vão”. A premiação do fazer o bem, da ética ativa, está em sintonia com a ética de John Stuart Mill: quero que todos sejam felizes, pois suas infelicidades perturbam a minha felicidade. Nunca vi ética mais sintônica com nossa natureza egoísta que esta.

Quando o mal é punido, as oportunidades e os meios de fazê-lo escasseiam. Eis porque é tão bem-vinda uma justiça Erga Omnes, em que todos são iguais perante a lei, e em que ela alcance os mais poderosos.

A guerra deve ser prevenida levando em conta o ânimo belicoso da natureza humana: “Si vis pacem para bellum”, diziam os romanos, “se queres a paz, prepara a guerra”, por favor, não fique contando com campanhas educativas e atitudes eternamente complacentes com os agressores, não lhes passe a mão no Cabello, não espere caírem de Maduro. Lembrem-se da tolerância de Chamberlain com Hitler…

Sim, tirano é tirano, e a vontade de tirania não adormece nunca, daí que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Quando o Supremo reafirma que a liberdade de expressão vale mais que a vontade do Rei, ele está mandando um recado àqueles que espreitam sem trégua a possibilidade de exercer um “controle da imprensa”, ou qualquer outro nome que se dê para a censura prévia aos inconvenientes. É preciso lembrar Millôr: “Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.

É preciso lembrar que não existe casa pronta nem “democracia consolidada”: sem manutenção permanente, tanto uma quanto outra entram em decadência. A ruína e a tirania são seus destinos entrópicos.

É hora de içar as velas de nossos valores: ventos de dignidade começam a soprar no país!


Natureza Humana: Raiva Contida

Um psicanalista carioca escreveu que, se o Brasil fosse uma pessoa, ele lhe receitaria antidepressivos e exercícios físicos. Certo, o país anda abatido, mas ele estaria tratando apenas os efeitos da depressão, não suas causas.

O estado depressivo é um mecanismo de defesa que faz a pessoa se encolher diante de uma ameaça prolongada. Se fizermos uma engenharia reversa nele, veremos que sua causa imediata é o stress. Este, apesar de popular, é mal compreendido. É fácil se dizer estressado. Não é tão fácil explicar o que é. Stress é a condição de se estar com uma angústia prolongada. Angústia vem do latim “angustus”, apertado, o mesmo sentimento de aperto no peito que ela produz. Já os alemães são mais simples: “angst” significa medo. Aí temos a linha de montagem completa: medo; angústia; stress; depressão. Leia Mais


Natureza Humana: A nobreza do martírio

Você já notou que essa história de oferecer a outra face é um golpe baixo? O que acontece é que o estapeado vira nobre instantaneamente, e quem deu o tapa vira vilão. Aquilo que gerou o primeiro tapa desaparece como assunto, mesmo que, dependendo da causa, ele seja merecido. Leia Mais


Natureza Humana: Consolo

Diferentemente de necrotério (lugar dos mortos, em sua origem grega), cemitério é o lugar para dormir. O de nome mais bonito que conheço é o Cemitério da Consolação: lugar para dormir, lugar de consolo. Reúne duas necessidades básicas do ser humano neste vale de lágrimas: descansar e consolar-se. Leia Mais


Natureza Humana: O Elefante

Atravessavam os Estados Unidos de trem, quando um homem se levantou e começou a espalhar um pó tirado de uma caixinha pelo corredor entre os bancos.

— Que pó é esse?

— É pó de espantar elefantes!

— Mas não há elefantes na America.

— Ah, não tem problema, o pó é falsificado, mesmo… Leia Mais


Natureza Humana: Controle

Freud detectou o início de uma guerra entre a criança e o mundo, entre o pequeno troglodita – que é como nascemos – e a civilização, entre as forças da natureza que estão nos nossos programas cerebrais genéticos e a cultura que quer nos regular (ela também fruto da natureza, que nos deu capacidade de criá-la), no momento em que a criança já tem capacidade e maturidade neurológica para controlar seus esfíncteres de excreção, e os adultos – representantes da civilização – que têm poder sobre ela, querem impor regras de higiene, horários e locais adequados para essas funções excretoras.  Leia Mais


Natureza Humana: Acumuladores

Os canais pagos de televisão tornaram bastante conhecida a figura do acumulador. Programas americanos mostram acumuladores ricos, capazes de comprar galpões para guardar de quinquilharias a compras múltiplas ainda em suas embalagens originais. Há até acumuladores de carros, com dezenas deles espalhados por sítios, cada um com uma razão para não se desfazerem deles.  Leia Mais


Natureza Humana: Espontaneidade

“Ah, eu boto mesmo pra fora! Eu estou sentindo a coisa, não estou? Pois então: é a minha verdade. Eu sou muito espontânea, não disfarço, que nem muita gente falsa que eu conheço. Não quero nem saber. Isso afasta? Isso magoa? Dane-se! A verdade é mais importante. Eu sou autêntica!”

A psicanálise, com sua influência na cultura, tem culpa no cartório desse espontaneísmo todo. A crença na “verdade por trás das coisas”, e naquilo que se oculta “no fundo, no fundo”, mais a visão reichiana de que “é preciso se livrar das couraças de defesas, e de se expor”, tudo isso foi atropelando, passando por cima da boa educação e da cerimônia, do jeito diplomático de lidar com divergências, que são suavizadores sociais, facilitadores da convivência. Leia Mais


Natureza Humana: Violência

O ser humano é o único animal violento que existe… se tomarmos o sentido original do termo, que significa violar, romper regras ou leis estabelecidas. 

Visto assim, qualquer atrocidade cometida por um leão, um hipopótamo ou um tubarão, nada tem de violento, já que eles não estão violando qualquer código, simplesmente porque seus códigos de comportamento vêm de suas programações genéticas, e não de leis ou regras impostas por qualquer instância externa. Leia Mais

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