Assunto: literatura


Diversos: Resumo do livro “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade’, de Yuval Harari, por Francisco Daudt


Resumo do livro nesse link —>  https://bit.ly/2IJ8ZRs

“Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, Yuval Harari. Esse é o livro mais interessante que eu já li nos últimos tempos. Agora.. ele tem 470 páginas. Então eu vi muita mãe e muito pai dizendo ‘ah, meu filho não encara um livro desse tamanho’. É por causa disso que eu fiz o resumo de 20 páginas que você está recebendo agora (visualizar no link acima). Ele vai ler o resumo e vai dizer ‘poxa, ele é tão interessante que é capaz do livro ser mais’, e eu vou dizer, o livro é mais interessante!”

Entrevistas: (Folha de S. Paulo) “Freud veio para esclarecer, não nos deixar perplexos”, diz Francisco Daudt


MANUEL DA COSTA PINTO – COLUNISTA DA FOLHA

“A Criação Original”, novo livro do colunista da Folha e psicanalista Francisco Daudt, traz uma declaração de princípios: “A clareza é o ponto fundamental neste livro”. Seu desafio é apresentar de maneira ao mesmo tempo didática e consistente o conjunto dos conceitos e da prática psicanalítica, numa reação ao caráter frequentemente hermético que marca os textos dos seguidores de Freud.

“Sua escrita era tão clara e acessível, tão bem escrita, que a única honraria que lhe coube em vida foi o ‘Nobel alemão’ de literatura, o prêmio Goethe [1930]. Quis fazer jus à intenção do mestre: ele veio para esclarecer, não para deixar ninguém perplexo, muito menos reverente diante de sua obra”, afirma Daudt em entrevista à “Ilustrada”.

Há, nessa defesa da clareza, um sentido ético e uma crítica explícita à estratégia de poder embutida no serpentário retórico de muitos teóricos de psicanálise, sobretudo Lacan e seus epígonos: “Ainda somos prisioneiros do mito francês de que uma fala obscura traduz erudição e sapiência. Sou adepto de Karl Popper, o epistemólogo que afirma que uma hipótese deve ser vulnerável a críticas e à refutação, caso contrário não se terá como aferir sua condição de verdadeira ou falsa. Em outras palavras, eu não posso te enrolar se estiver escrevendo em português claro. Isto vale para a
psicanálise, a política e a economia”.

O livro não segue a evolução cronológica do pensamento de Freud. Isso significa, por exemplo, que a “teoria dos impulsos”, que o pensador vienense modificou até seus últimos escritos (com a introdução tardia da ideia de “impulso de morte”), é apresentada ao leitor nos capítulos iniciais de “A Criação Original” e já em sua forma final.

“Se alguém se dispuser a enfrentar os 24 volumes da obra completa de maneira cronológica (que é como eles se dispõem), vai demorar horrores para entender a teoria freudiana. Vai virar um contemporâneo de Freud, que era obrigado a ir ‘acompanhando a novela’. Nós estamos na posição de pegar o conjunto da obra e rastreá-la no sentido de sua maior compreensão”.

Mas, ao contrário de leituras “fundamentalistas”, que consideram intocável a letra freudiana, Daudt considera a psicanálise uma “ciência embrionária”, sujeita a correções (e o próprio autor corrige, ao longo texto, afirmaçõesque fizera em livros ou artigos anteriores): “Freud foi um cientista, um médico, e a ciência é humilde na busca da verdade. Imitei o espírito científico de Freud: ele próprio se corrigiu quando disse que afinal não era a neurose que causava angústia, mas o contrário, a angústia causava a neurose. Abordar o texto freudiano como se fosse uma bíblia, ‘a Palavra’ que requer exegese, é um insulto ao velho professor”.

Aqui mais uma vez, há um sentido ético na recusa de colocar a psicanálise num altar: “Se a psicanálise for colocada sobre um pedestal, elevada à categoria de religião, com acólitos se submetendo a instituições, o psicanalista tenderá a fazer o mesmo com seus pacientes: tenderá a subjugá-los”.

Em nome da clareza, Daudt também critica o uso de termos como “Ego” e “pulsão”, em lugar de simplesmente “Eu” ou “impulso”, que seriam traduções óbvias do estilo vernacular de Freud. “Essa praga começou com Ernest Jones, primeiro tradutor de Freud para o inglês, que resolveu envolver sua escrita numa vestimenta pomposa –e corporativa– de termos médicos em latim e grego. Começou aí a doença institucional da psicanálise: o psicanalista servindo a instituição, em vez de servir a seus pacientes. Ficou um saber envolto em mistério, somente para iniciados, intimidando o leigo (vale dizer, o paciente), dando impressão de grande saber, mas só impressão. E vai contra o propósito básico da psicanálise, que é corrigir a submissão da criança à cultura e construir um indivíduo independente e autônomo.”.

Nesse sentido, “A Criação Original” desafia o tabu psicanalítico de que o leitor não pode e não deve ousar ler Freud com o intuito de se autonalisar: “Esse é um ponto em que divirjo completamente de meus ‘díspares’ (há muito tempo entendi que não tenho pares): quando Freud falou em análise interminável, estava falando da transferência de tecnologia que deve se dar num processo psicanalítico, de tal modo a que o paciente prossiga em um processo de autoanálise vida afora. A internet qualificou os pacientes para fazerem perguntas sobre suas doenças aos médicos, e isso os obriga a ficar mais espertos e atualizados. Quero o mesmo para os pacientes de psicanálise! Quero defender o direito do consumidor desse serviço! Quero que entendam ou tenham boas intuições sobre suas doenças, seus complexos de Édipo, que exijam entender o que o psicanalista lhe diz”.

Aliás, o capítulo sobre o complexo de Édipo (um dos pilares da criação freudiana) também traz uma contribuição teórica de Daudt, fruto das experiências clínicas relatadas pelo psicanalista carioca:

“Há no livro uma novidade: o conceito de que o complexo de Édipo não é uma fatalidade absoluta, e sim um dano de tamanho variável na vida dos filhos, causado pela incompetência dos pais em criá-los. Quanto menos incompetentes, menor o dano. Incompetentes todos seremos, pois não existe trabalho mais difícil do que atender na justa medida as capacidades e necessidades dos filhos à medida que crescem”.

Sob o intencional didatismo de “A Criação Original”, portanto, há também uma leitura não canonizadora de Freud. Ao expor a formação do aparelho psíquico desde sua fase rudimentar até suas etapas mais complexas, Francisco Daudt mostra como pode ser dinâmico, mutável, o enfrentamento de nosso aparelho psíquico com as vivências subjetivas e com o mundo exterior.

“A Criação Original – A Teoria da Mente Segundo Freud”
Francisco Daudt
Editora 7Letras
336 págs.

“A criação original – A teoria da mente segundo Freud” já está a venda. Para comprar, CLIQUE AQUI.

Release: A Criação Original – A teoria da mente segundo Freud

Livro apresenta a obra de Sigmund Freud de forma didática, sem abrir mão dos detalhes de toda a teoria do mestre da Psicanálise.

 

Este é um livro para quem sempre quis conhecer a teoria de Freud sobre o funcionamento da mente, mas ainda não teve fôlego ou apetite para transitar pelos vinte e quatro volumes de sua obra. Em “A criação original”, Francisco Daudt inventa um personagem que o leitor pode acompanhar desde antes de seu nascimento até sua vida adulta para ver como sua alma se forma, passo a passo, segundo a teoria freudiana do aparelho psíquico.

“Este foi o primeiro livro que escrevi, há trinta anos, quando decidi não mais dar cursos de teoria freudiana e deixar por escrito o resumo do que achava que os alunos precisavam saber. Como não consegui publicá-lo na ocasião, fiz uma condensação dele: A criação segundo Freud – o que queremos para nossos filhos, lançado em 1992.

Seu primeiro revisor e incentivador foi Leandro Konder, que me disse na época: ‘Francisco, você escreveu A democracia como valor universal (a reverenciada obra de Carlos Nelson Coutinho) da psicanálise’.

Só fui entender a magnitude de seu elogio muitos anos depois: a psicanálise tem duas faces, a científica e a filosófica, o conhecimento da mente e a sabedoria de vida que dele se depreende. Konder se referia justamente à parte filosófica: ‘Seu livro deixa claro que a doença mental vem da tirania que a cultura impõe – via superego – sobre a pessoa, e que, portanto, é na convivência democrática entre os ‘três poderes mentais’ (Ego, Id e Superego) que a saúde prospera e a criança se desenvolve em direção à independência e à autonomia.’

E acrescentou: ‘Seu compromisso com a clareza, quando você diz que, se houver algo não compreensível no seu livro foi porque você não explicou direito, está em sintonia com sua proposta democrática: a psicanálise não pode se impor tiranicamente sobre o aprendiz com uma linguagem obscura apenas para iniciados’.

Era isso! Eu já me revoltava com médicos falando difícil para seus pacientes, e agora como psicanalista não iria tolerar essa repetição, nem para mim, nem para meus alunos. E mais, se a fala não é transparente, ela não se torna vulnerável a críticas. Este princípio científico de Karl Popper me é muito caro: a principal peneira que separa o verdadeiro do falso em qualquer aprendizado é a possibilidade de ele ser denunciado e criticado como tendo erros.Portanto, aí está o livro: ele contém a proposta científica de Freud sobre o funcionamento da mente, e sua decorrente proposta filosófica: como aproveitar esse saber para viver e criar os filhos na saúde mental, como construir-se e como construir indivíduos independentes e autônomos, que mandem na própria vida sem causar danos aos outros.”

“Leandro Konder me manda um bilhete divertido apresentando Francisco Daudt da Veiga, um psicanalista que escreve limpo e quer democratizar Freud. […] A explicação dele de ‘O complexo de Édipo’ não poderia ser mais clara e satisfatória, a meu ver. O livro é obrigatório para quem quer conhecer o assunto”

PAULO FRANCIS

A criação original – A teoria da mente segundo Freud

Autor: Francisco Daudt

Sbn: 9788542105650

Idioma: Português

Encadernação: Brochura

Formato: 15,5 x 22,8

Páginas: 336

Ano de edição: 2017

Ano copyright: 2017

Edição: 1ª

Editora: 7 Letras

Sobre o autor

Francisco Daudt nasceu no Rio de janeiro em 1948. Mora e trabalha no mesmo bairro do Cosme Velho, onde sempre viveu. Formado médico pela Faculdade de Medicina da UFRJ em 1971, praticou clínica gastrenterológica (pós-graduado pela PUC-RJ) durante cinco anos, quando decidiu migrar para a psicanálise. Como médico, pôde fazer sua formação desvinculada de instituições, escolhendo seu analista didata, seu supervisor e seus professores de teoria freudiana. Pratica psicanálise clínica desde 1978, tendo lecionado teoria freudiana durante dez anos, quando resumiu seu aprendizado em um livro de 400 páginas, que está sendo lançado agora pela 7 Letras, intitulado “A Criação original – A teoria da mente segundo Freud” .

Seu último livro, “A natureza humana existe – e como manda na gente”, foi lançado em agosto de 2013 pela Casa da Palavra, e se encontra à venda em forma de livro físico e digital, assim como “Onde foi que eu acertei” (Casa da Palavra, 2010), “O amor companheiro” (Sextante, 2004), “ O aprendiz da liberdade” (Companhia das Letras, 2000), “O aprendiz do desejo” (7 Letras, 1997) e “A criação segundo Freud” (7 Letras, 1992).

Atualmente, além de exercer psicanálise clínica, assina uma coluna a cada duas semanas no caderno Cotidiano da Folha de São Paulo. Foi, durante um ano, consultor psicanalítico para o programaEncontro com Fátima Bernardes, da TV Globo.

.

CONTATO

Francisco Daudt

Tel: +55 21 98482-6978

fdaudt2@gmail.com


(Em breve): A CRIAÇÃO ORIGINAL – A teoria da mente segundo Freud [parte 3 - Leandro Konder e Paulo Francis]


 

LEANDRO KONDER ME DISSE, SOBRE MEU LIVRO “A CRIAÇÃO ORIGINAL”:  ”Francisco, você escreveu ‘A democracia como valor universal’ (o celebrado livro de Carlos Nelson Coutinho, aqui na foto, com Leandro e comigo, 1998). Não podia ter recebido reconhecimento melhor!

PAULO FRANCIS, SOBRE “A CRIAÇÃO SEGUNDO FREUD”  (a condensação do “A Criação Original”, que será lançado em breve (Novembro de 1993). E foi assim que eu recebi um dos seis elogios que Francis emitiu na vida.